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Posts Tagged ‘televisão’

“Eu sou terrível…”

Sábado a tarde estou em casa assistindo a TV.

No programa do Luciano Huck há um quadro chamado “Lata velha”. Uma cópia descarada do programa “Pimp my ride” da MTV.

Consiste em pegar um carro caindo aos pedaços e reformá-lo completamente, para alegria de seus donos. O programa da MTV (originalmente americano, mas também passa uma versão inglesa e há a promessa de uma edição nacional) um sujeito bem-humorado leva o carro velho até uma oficina onde divertidos mecânicos literalmente transformam o carro, mostrando passo-a-passo, desde o projeto até a remontagem. É divertido.

No quadro do Caldeirão do Huck (que apostaria não pagou um centavo dos direitos que a MTV teria por ter inventado a atração) não há mecânicos engraçados e a remontagem do carro pouco é mostrada. A grande bizarrice é fazer o proprietário do veículo pagar algum mico em público.

Já houve quem imitasse James Brown, quem regesse orquestra e até quem dançasse Village People. Mas no último sábado eles foram com sede demais e exageraram.

O mico que o proprietário tinha que pagar era imitar Roberto Carlos e cantando a canção “Eu sou terrível”. Mais, não bastava cantar, era necessário ainda tocar gaita e dançar.

O proprietário e de início até que aceitou numa boa. Mas nas primeiras tentativas ficou claro que existia um problema, o sujeito não tinha o menor jeito pra música. Os instrutores ao invés de apoiá-lo passaram sim a esculachá-lo duramente um deles chegando a dizer “só Jesus descendo aqui na Terra pra esse cara conseguir cantar um verso que seja”.

Foi daí que, com toda a razão do mundo, o sujeito surtou. Berrou com produtores, instrutores, tava se lixando pro quadro e ia embora. Foi falta de respeito com aquele rapaz, ele não estava no “Ídolos”, ele sabia que não tinha o menor talento pra cantar, quanto mais tocar gaita e além de tudo dançar, ele só queria ter seu carrinho velho reformado, e não ser esculachado.

No fim das contas depois de alguma conversa e a ameaça que o carro depois de reformado iria a leilão (Sim, segundo Luciano Huck quem não cumpre a prova não recebe o próprio carro de volta, ele é leiloado. Sendo que o carro já é do proprietário isso me parece roubo, mas deixa pra lá) o sujeito cantou “Eu sou terrível”, não precisou dançar e fingiu que tocou gaita para receber o carro reformado. Nem precisou Jesus descer do céu.

É muito chato ver pessoas se humilhando na TV para ganhar prêmios. As produções dos programas deveriam pensar nisso quando copiam fórmulas dos outros.

No programa da MTV o sujeito não precisa fazer nada pra receber o carro de volta, mostra a pessoa entrando na garagem, vendo o carro, pulando e gritando de alegria.

“Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo,” (1 Pedro 1:18,19)

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O mau uso do livre-arbítrio

Ontem, feriado, estava eu fazendo várias coisas no computador com a TV ligada do lado.

Por acaso (por acaso mesmo) sintonizei a Rede TV! e estava passando o programa que estreou esta semana apresentado por Luis Antonio Gasparetto (mais conhecido como filho da Zibia Gasparetto, a famosa autora de romances espíritas).

O programa, assim como o apresentador é tosco. Mas isso não é novidade, é o que se espera da Rede TV!. O que me chamou a atenção no entanto foi a entrevistada. Uma senhora que, sem vergonha nenhuma (até com orgulho) dizia que era uma pessoa difícil de conviver, que era insuportável.

E de fato ela não precisou se esforçar muito pra comprovar o que dizia, realmente se tratava de uma mala-sem-alça-e-sem-rodinha-elevada-ao-cubo, me senti até aliviado, tem gente que consegue ser mais chata do que eu… rs

Ela foi entregando espontaneamente suas peripécias, como o dia que proibiu o filho adolescente de fazer tatuagem, o dia em que expulsou o namorado da filha de casa (filha que é administradora de empresas formada, tem 25 anos), e quando ela mandou “praquele lugar” um grupo de rapazes que ousaram chamar ela de “tia” no metrô.

Aliás, foi o incidente do metrô que me fez mudar de canal e não continuar vendo as “aventuras” desta senhora. Os rapazes que “xingaram” ela de tia no metrô estavam reclamando dela ter saído pela plataforma errada, a de embarque, e não a de desembarque, como orienta as placas e o próprio condutor do metrô. Nisso ela soltou a pérola: “mas é um absurdo, eu tenho o meu livre-arbítrio, as duas portas abrem, por que eu tenho de sair pela plataforma que mandam? Eu saio pela que me melhor convir”. Tudo com a concordância do tosco apresentador.

Daí eu fiquei imaginando as milhares de criaturas ao redor do mundo que pensam do mesmo jeito. Já pensou se todo mundo resolve ter o mesmo livre-arbítrio no metrô? Ia ser complicado embarcar e desembarcar. E leva isto pra fora, imagina se todo mundo resolve exercer seu “livre-arbítrio” ignorando o sinal vermelho, jogando lixo na calçada, buzinando em frente a hospital, fumando em lugar fechado…

O cidadão consciente abre mão do seu livre arbítrio em nome do bem comum. Era isso o que a TV deveria ajudar a ensinar, era isso o que aquele tosco apresentador deveria ter dito, devia ter colocado aquela chata em seu devido lugar, e não encorajado e mostrá-la como bom exemplo. Mas, como sabemos, seria demais esperar coisa diferente da Rede TV!.

Abraços,

Rogério Silva

“ Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano. ” (Salmos 143:10)

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